O trabalho da artista inspira-se no “Livro dos Seres Imaginários” de Jorge Luís Borges e Margarita Guerrero, que descreve monstros híbridos, criaturas fantásticas, animais fabulosos e seres mitológicos a partir de uma compilação de figuras da literatura, da mitologia clássica e das culturas chinesa e islâmica.

Seres Imaginários II – Carla Cabanas
Curadoria Galeria Carlos Carvalho Arte Contemporânea
04.10.2025 – 27.12.2025

O processo criativo da artista Mónica de Miranda entrelaça questões de identidade, luta, reapropriação e visibilidade do corpo, com a terra como palco simbólico de resistência e construção de identidade. O corpo é a plataforma que atravessa as diferentes camadas da sua obra, oferecendo uma narrativa complexa sobre tensões entre o passado e o presente, o visível e o invisível, e as histórias coletivas e individuais.
A exposição cruza conjuntos temáticos fundamentais no trabalho de Mónica de Miranda: por um lado, as séries Archipelago e Like a Candle in the Wind, e por outro, Tomorrow is Another Day, Twins e Panorama.

Weaving Landscapes – Mónica de Miranda
Curadoria Galeria Carlos Carvalho Arte Contemporânea
02.07.2025 – 27.09.2025

Desde a década de 1970, Pires Vieira tem vindo a desenvolver uma prática artística sólida e coerente, centrada no questionamento e na subversão dos limites da pintura tradicional. O seu trabalho radica-se na desconstrução e na hibridação da pintura, propondo uma expansão das fronteiras deste meio de expressão. A centralidade do seu trabalho reside na crítica constante às normas artísticas, utilizando suportes alternativos e criando camadas visuais que desafiam a perceção direta da obra.
Nascido no Porto, em 1950, Pires Vieira estudou Arquitetura e Urbanismo, na Escola Superior de Belas Artes de Paris e na Faculdade de Paris VIII, em França.

Como o cego para entender a luz – Pires Vieira
Curadoria Galeria Carlos Carvalho Arte Contemporânea
15.02.2025 – 28.06.2025

Texto de José Maçãs de Carvalho sobre a exposição:
“«(…) o lado de dentro do lado de fora. ¹»
As fotografias encontradas para esta exposição fazem parte de uma longa reflexão sobre a natureza da fotografia e a sua prática. Há muito que o que mais me interessa e instiga é fazer imagens que tragam uma promessa ou sensação de tempo. Escrevi noutro lugar que o meu trabalho se tem apurado naquilo que designo como a expressividade do arquivo, ou seja, na forma como o arquivo se manifesta na obra de arte enquanto traço ou vestígio. Ora, é mesmo do arquivo (por analogia com os acervos de imagem dos fotógrafos) que emerge a ideia de excesso. Esse é o mal de qualquer artista e um mal crónico daqueles que usam a fotografia com media preferencial. ²
Parece evidente que a fotografia é a prova de um primeiro momento na linha do tempo e que, desde esse tempo, até aqui e agora, se foi sedimentando outro tempo. Este empedernimento da imagem permite pensarmos a fotografia como o lugar de um tempo heterogéneo. Será, porventura, desta acumulação de tempos que vive a nossa curiosidade sobre a imagem fotográfica, numa aventura utópica, e que permitiu a Bernardo Pinto de Almeida afirmar que a Fotografia pode ser o lugar de todas as imagens.
O gesto criativo será sempre um trabalho restaurador para uma totalidade ilusória. Carlos Amaral Dias escreveu que a criatividade “(…) é a possibilidade de recuperarmos e repararmos qualquer coisa que está no nosso interior sob uma forma incompleta e angustiante e que se recria no próprio momento da criação (…)” ³. Na vida o meu limite é sempre o limite do outro. Na imaginação, na arte, o pensamento é absolutamente livre
Assim, Luís Quintais (a quem devo o título) ⁴ escreverá sobre a inexorabilidade da vida terrena e da imaginação no tempo, num tempo dobrado, por vir, feito de adições, onde veremos “a flor azul [que] nascerá no deserto”. ⁵
Será nessa linha entre a distância (aura – aura que é também impregnada da sensação de tempo) e a proximidade (vestígio) que a fotografia recolhe traços de uma totalidade que só se cumpre no fragmento.”

¹ Gilles Deleuze, Foucault, (Coimbra: Edições 70, 2017), 104.
² José Maçãs de Carvalho, “A recolha de traços”, in Ana Rito ed., Seminário/seminarium_curated research_the academy as medium (Coimbra: Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, 2023), 94 e 95.
³ Carlos Amaral Dias e João Sousa Monteiro, Eu já posso imaginar que faço, (Lisboa: Assírio & Alvim, 1989), 95.
⁴ Dobrado: não estendido; que tem dobras de reforço; duplicado; curvado; diz-se de terreno acidentado; dissimulado.
⁵ “Alguém virá, um rosto, um animal, um voo, uma canção. O tempo será dobrado, complicado de novo.(…)”: Luís Quintais, A noite imóvel, (Lisboa: Assírio & Alvim, 2017), 172

Tempo dobrado – José Maças de Carvalho
19.10.2024 – 01.02.2025